quarta-feira, 11 de abril de 2012

Páscoa: o Poder da Ressurreição de Jesus (Fl 3.10)

´3.7 No passado, todas essas coisas valiam muito para mim; mas agora, por causa de Cristo, considero que não têm nenhum valor. 3.8   E não somente essas coisas, mas considero tudo uma completa perda, comparado com aquilo que tem muito mais valor, isto é, conhecer completamente Cristo Jesus, o meu Senhor. Eu joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim de poder ganhar a Cristo 3.9   e estar unido com ele. Eu já não procuro mais ser aceito por Deus por causa da minha obediência à lei. Pois agora é por meio da minha fé em Cristo que eu sou aceito; essa aceitação vem de Deus e se baseia na fé. 3.10   Tudo o que eu quero é conhecer a Cristo e sentir em mim o poder da sua ressurreição. Quero também tomar parte nos seus sofrimentos e me tornar como ele na sua morte, 3.11   com a esperança de que eu mesmo seja ressuscitado da morte para a vida.´ (Filipenses 3.7-11 – NTLH)

INTRODUÇÃO
            Hoje é dia de uma notícia maravilhosa: Jesus ressuscitou! Ninguém jamais anunciou notícia melhor! Infelizmente, alguns só pensam na ressurreição de Jesus (quando pensam) na Páscoa. Paulo esta discutindo a confiança que alguns tem na carne (circuncisão, salvação pelo cumprimento de regras, capacidade de salvar-se a si mesmo) em contraste com a graça que encontramos exclusivamente em Cristo. Paulo afirma que tinha muitos motivos para se gloriar na carne, mas que no entanto considerou tudo como lixo, de nenhum valor, por causa de Cristo – a verdadeira fonte de amor, esperança, alegria e paz! Paulo afirma que o importante é ser encontrado em Cristo, sem justiça própria, mas firme na justiça que brota da cruz e da ressurreição de Jesus, Nosso Senhor. A verdadeira justiça de Deus está em Cristo e é alcançada pela fé nEle.
O texto bíblico acima foi escrito pelo apóstolo Paulo fora do contexto da Páscoa, e nos convida a refletir sobre viver a mensagem da Páscoa a partir da segunda-feira. Vamos concentrar a nossa atenção ao verso 10.

1) “Tudo o que eu quero é conhecer a Cristo...”.
            Hoje em dia, muitos nem sabem o que é, de fato, a Páscoa! Conhecer a Páscoa é conhecer a Cristo. E conhecer a Cristo não é acumular informações sobre Jesus. A Páscoa não nos convida a sermos ´fãs´ de Jesus, mas seus discípulos, seus seguidores, seus adoradores.
            Hoje há muitos fãs de todo tipo de pessoa que você possa imaginar. Há fã de Elvis Presley que conhece mais informações sobre o ídolo que a própria filha do falecido Rei do Rock, Lisa Marie Presley. No entanto, conhecer não é acumular pôsteres, informações sobre datas, eventos... Conhecer é olhar nos olhos, é ver com os próprios olhos, é conhecer a pessoa, é tocar (1Jo 1.1).
            A palavra conhecer vem do grego ´gnose´,  um conhecimento não apenas intelectual, mas ´participativo´, íntimo. Na linguagem bíblica, ´conhecer´ é expressão de intimidade. Conhecer a Cristo é crer em Cristo, é crescer no conhecimento dEle andando, ouvindo, falando, vivendo para Ele. Paulo quer conhecer a Cristo mais e mais. Devemos desejar conhecer a Cristo e cultivar nossa relação com Ele. Conhecer a Cristo não é coisa de um domingo por ano, mas de todos os dias de nossa vida, pois Ele disse, após a ressurreição: ´E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século´ (Mt 28.20).
Oração: ´Senhor, eu quero te conhecer melhor!´

2) “Tudo o que eu quero é... também tomar parte nos seus sofrimentos...”.
            Jesus viveu por nós. Viveu nos amando. E quem ama, sofre! O amor sempre traz sofrimento, não porque haja algo errado no amor, mas porque nós somos imperfeitos, sujeito a fraquezas e pecados.
            Deus sofre por nos amar! Já pensou nisso? No livro de Oséias, por exemplo, ao falar da sua relação com Israel, Deus se compara a um marido traído! A relação de Oséias com a esposa expressa a dor e o sofrimento de Deus, que ama a Israel! Hoje Deus continua sofrendo por amor de nós!
            Deus, o Pai, sofreu de modo incompreensível para nós quando entregou o seu próprio Filho para nos resgatar de uma vida vazia e de pecado. Mas Deus, o Filho, também sofreu por se entregar a si mesmo por nós. E Deus, o Espírito, sofreu a dor do Pai e do Filho, sua própria dor! Deus sofre em si mesmo na sua relação conosco!
            Paulo declara que ama a Deus. Quem ama, sofre. Por amar a Deus, Paulo quer participar dos sofrimentos de Cristo, sofrimentos de amor.
            Nesta vida, não há como não sofrer. Mas já que o sofrimento virá, vamos sofrer pelo que vale a pena! Para Deus, o sofrimento que vale a pena é o sofrimento por amor. Para Paulo também. E para você, quer continuar a sofrer por bobagem, por coisas vazias, ou sofrer pela única razão que vale a pena: sofrer por amor a Deus; sofrer por aqueles a quem Deus ama.
Oração: ´Senhor, que quero participar dos seus sofrimentos por amor!´

3) “Tudo o que eu quero é... me tornar como ele na sua morte...”.
            A Bíblia não fala muito bem da morte. Segundo nos afirma o próprio Paulo, ela é um inimigo (1Co 15.26). Se é assim, porque Paulo afirma que quer se tornar como Cristo na sua morte?
            No capítulo 2 de Efésios, Paulo afirmou que Cristo ´subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz´ (Fl 2.6-8).
            Jesus foi obediente até a morte. E ser obediente é expressão de cruz, ou seja, de fazer a vontade do Pai, e não a nossa (Mc 14.36).
            Jesus sofreu a nossa morte para que pudéssemos viver a sua vida. Se tornar como ele na sua morte é entregar totalmente a sua vida a Deus, sacrificando a própria vontade para fazer a vontade de Deus. Assim, se tornar como ele na sua morte significa ser moldado por Ele, assumir o compromisso de Cristo em fazer a Vontade do Pai! O grande propósito de Deus é uma grande família, com muitos filhos e filhas ´conformes a imagem do Seu Filho´, ou seja, filhos e filhas com o caráter de Cristo, conformados na sua morte, conformados na Vontade do Pai.
Oração: ´Senhor, eu quero fazer a Tua Vontade!´

4) “Tudo o que eu quero é... sentir em mim o poder da sua ressurreição”.
Mas como é possível fazer a vontade de Deus? Não na própria força, mas pela graça de Deus na ressurreição de Jesus!
A ressurreição de Jesus é o centro da nossa fé. A morte de Jesus só é Boa Nova por causa da ressurreição. Só podemos conhecer a Cristo, participar dos seus sofrimentos de amor e nos conformarmos com Ele na sua morte se o poder da sua ressurreição estiver sobre nós!
Deus é Todo-Poderoso sobre todas as coisas, inclusive sobre a morte e sobre tudo o que traz a morte. Deus é poderoso para perdoar pecados e para transformar o coração do pecador, para que viva na justiça (Ef 2.10). Deus é poderoso para destruir a própria morte e nos ressuscitar. E este poder ficou demonstrado na ressurreição de Jesus. A ressurreição de Jesus é o fundamento da nossa própria ressurreição! (1Co 15.20-23).
O poder da ressurreição de Jesus é derramado em nós pela graça de Deus, através da Palavra de Deus e da ação do Espírito Santo. É o poder da nova vida, da plenitude da graça de Deus.
            O poder da ressurreição de Jesus não é apenas o poder da nossa ressurreição no tempo da consumação, quando Jesus vai voltar para renovar todas as coisas, mas já é hoje o poder de uma nova vida em Cristo, de uma vida plena da graça de Deus, que supera todas as coisas. Mas só ressuscita quem morreu. Morre quem sofreu. Por isso, vamos conhecer a Cristo, participar dos seus sofrimentos de amor, nos conformarmos com ele na vontade do Pai. Quem vive assim dá testemunho do poder da ressurreição de Cristo!
Oração:  “Senhor, eu quero viver cheio do poder da sua ressurreição”.



Feliz Páscoa!


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Os Dez Mandamentos


         Toda a Escritura é inspirada por Deus (2Tm 3.16). No entanto, há alguns textos bíblicos que devemos tomar com consideração especial. Um destes textos é o dos dez mandamentos. Na Lei de Moisés (Gênesis a Deuteronômio) os dez mandamentos são apresentados duas vezes (Ex 20.1-17 e Dt 5.1-21).
          Há duas grandes interpretações sobre qual seja a lista dos dez mandamentos. Podemos visualizar a diferença da seguinte maneira:


Mandamento
Versículos de Êxodo 20
Igrejas Reformadas e Ortodoxas
Igrejas Luterana e Católica Romana
Não terás outros deuses além de mim.
2-3
1º

Amar a Deus sobre todas as coisas
3-6

1º
Não farás para ti imagem de escultura
4-6
2º

Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão
7
3º
2º
Guardar o Dia do Senhor
(O dia de descanso do cristão é o Domingo, dia da ressurreição do Senhor, substituindo o sétimo dia dos hebreus, como atesta Justino, mártir, no século II d.C. - Ver Ap 1.10)
8-11
4º
3º
Honra teu pai e tua mãe
12
5º
4º
Não matarás
13
6º
5º
Não adulterarás
14
7º
6º
Não furtarás
15
8º
7º
Não dirás falto testemunho contra o teu próximo
16
9º
8º
Não cobiçarás coisa alguma do teu próximo
17
10º

Não cobiçarás a mulher do próximo
17a

9º
Não cobiçarás nada que pertença ao teu próximo
17b

10º
          
          De um lado estão as Igrejas Reformadas e Ortodoxas Gregas e de outro, as Igrejas Luteranas e a Católica Romana.
          Jesus, no Sermão do Monte, não desprezou os dez mandamentos, mas pelo contrário, trouxe mandamentos ainda mais radicais! Ora, ´não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará  da Lei, até que tudo se cumpra´ (Mt 5.17-18). Em Mt 5.21-48 Jesus comenta alguns mandamentos da Lei e, no seu comentário, os mandamentos não são deixados de lado, mas pelo contrário: são radicalizados! Não matar? (Ex 20.21; Dt 5.17) Não apenas não matar, mas não odiar e se reconciliar! (Mt 5.21-26) Não adulterar? (Ex 20.14; Dt 5.18)  É pouco! Não se pode olhar com intenção impura! (Mt 5.28). Os mandamentos expressam a vontade de Deus, a qual não conseguimos alcançar por nós mesmos, mas apenas pela graça de Deus que há em Cristo Jesus, nosso Senhor. Jesus nos enviou o seu Santo Espírito, para que, santificados pela Palavra de Deus (Jo 17.17), transformados pela graça de Deus tendo sido feitos novas criaturas em Cristo e no Espírito, façamos a vontade de Deus, plena de boas obras (Ef 2.8-10). Na Nova Aliança em Cristo, a lei não está escrita em pedras, mas nos nossos corações (Jr 31.31-34).
A Deus toda a glória!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Para Que a Nossa Alegria Seja Completa (1Jo 1.1-4)

INTRODUÇÃO
A Revista Galileu de Setembro de 2010 traz uma matéria muito interessante, com o seguinte título: ´Quanto Custa Ser Feliz´. A matéria é sobre a relação entre dinheiro e felicidade, de acordo com algumas pesquisas recentes. A matéria traz algumas informações interessantes: a) Milionários não são mais felizes que a média da população; b) Analisando dois grupos de pessoas, sendo um formado por pessoas que ganharam na loteria e outro por pessoas que ficaram paralíticas, depois de um ano o nível de felicidade dos dois grupos é praticamente a mesma; c) Se a pessoa tiver dinheiro para comprar o que quiser, terá menos prazer com o que compra.
Mas por que as coisas são assim? Há séculos a Bíblia tem ensinado o caminho de uma vida cheia de fé, amor, alegria e justiça, mas não são muitos os que andam no caminho de Deus. Gostaríamos de refletir sobre este tema: como alcançar a alegria completa?

1. O que traz felicidade não são coisas, são relacionamentos saudáveis (v. 3)
A alegria que o dinheiro traz (carro novo, casa, viagem dos sonhos, roupas caras, etc.) dura muito pouco. Devemos direcionar nossa energia, tempo e recursos no investimento em relacionamentos melhores. Pessoas com muito dinheiro e nenhum relacionamento saudável são infelizes. Comprar roupas novas, encher várias sacolas no shopping, são coisas que trazem alguma alegria, mas é tão pequena e dura tão pouco! É por isso que milionários não são mais felizes que a média da população. O texto bíblico afirma o seguinte: ´para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo´ (v. 3b). Uma relação saudável com Deus e com o próximo é a verdadeira fonte de felicidade! A Bíblia nos ensina que a nossa alegria não deve estar baseada nas coisas, mas em Deus (Fl 4.4).
O livro de Provérbios também traz um ensino muito importante neste sentido: ´Melhor é um prato de hortaliças onde há amor do que o boi cevado
e, com ele, o ódio´ (Pv 15.17). Um relacionamento baseado no amor vale mais que ouro e prata. Amor não se compra. Amor não se vende. E Deus provou o seu amor por nós em Cristo (Rm 5.8). Comunhão com Deus e com o próximo é fonte de grande alegria, muito maior que a alegria trazida pelas coisas.

2. O que traz felicidade é a dedicação àquilo que tem significado real (v. 3a).
A felicidade está em investir tempo, energia e recursos em coisas que tem um significado real. Ninguém tem vida plena vivendo de qualquer jeito, vivendo sem um propósito. Precisamos nos dedicar a causas que tem um significado real, que são importantes, que promovem a comunhão, a restauração, a paz! E nós, como filhos e filhas de Deus, somos privilegiados, pois nós temos pelo que lutar: pelo Reino de Deus. É Deus, e não nós, quem realiza o Seu Reino. No entanto, na Sua graça e bondade, Ele nos dá o privilégio de podermos participar como seus servos no trabalho do Reino. É o que diz o texto bíblico: ´o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros ´ (v. 3a). Temos a missão de anunciar, de testemunhar o amor de Deus, que está em Cristo. Servir a Deus dá um significado à vida e colabora com uma vida mais alegre, mais feliz!

3. O que traz felicidade é aquilo que conquistamos (v. 3)
Relacionamentos saudáveis e serviço no Reino de Deus não são coisas fáceis de alcançar. É necessário dedicação, zelo, perseverança. Casamento dá trabalho. Educação de filhos dá trabalho. Gerar discípulos dá trabalho. A carreira dá trabalho. Tudo o que vale a pena na vida exige sacrifício; precisa ser alcançado! Geralmente não valorizamos o que conseguimos de graça. É por isso que a salvação não é de graça, mas é pela graça, pois foi conquistada com o mais elevado sacrifício: o de Cristo. ´Eu sei que foi pago um alto preço´!
Jesus já realizou o sacrifício para nosso perdão e salvação. No entanto, temos uma cota de sacrifício, de sofrimento, de dedicação, na caminhada cristã (Rm 12.1; Cl 1.24; Hb 13.15); sacrifício não pelos pecados, mas por uma vida cheia de graça, que responde posivitamente à graça de Deus.
Tudo o que vale a pena na vida exige sacrifício, dedicação. Quer ser feliz? Lute por aquilo que vale a pena. E nada vale mais a pena que o Reino de Deus!

CONCLUSÃO
A felicidade não está em coisas (esta é superficial e passageira). A verdadeira felicidade está em relacionamentos saudáveis com Deus e com o próximo, está em ter um propósito na vida e em lutar por aquilo que vale a pena. Por isso ser cristão é uma vida de sacrifício, mas cheia de amor, alegria e paz! Que Deus nos abençoe a todos, para que sejamos muito felizes, para a glória de Deus, orientados pela Sua Palavra e Seu Santo Espírito.



terça-feira, 11 de maio de 2010

A Face Materna de Deus


O que significa chamar a Deus de Pai? Se Deus é Pai, quem é a nossa mãe? Deus é macho ou fêmea? O estudo de hoje é uma reflexão sobre estas perguntas à luz da Bíblia.
Como falar sobre Deus? Ele é celestial, e nós, terrenos (cf. Jo 3.12). Se às vezes é difícil traduzir um texto de uma cultura para outra, imagine o que significa expressar a Deus com perfeição! Na verdade, Deus é tão grande que Ele não cabe nem na Bíblia. A Bíblia não nos diz TUDO sobre Deus, pois isso não seria possível nem mesmo com todos os livros do mundo, ou mesmo com o mundo cheio de livros sobre ele (Jo 21.25). Mas a Bíblia diz TUDO O QUE PRECISAMOS SABER sobre Deus. Ela é inspirada por Deus para que possamos conhecer o que podemos e o que precisamos. Quando Ele nos levar, passaremos a eternidade O conhecendo, cada vez mais, sem esgotá-lo! Por essas razões a Bíblia fala de Deus numa linguagem dinâmica, usando de comparações, símbolos e imagens. Calvino afirmava que quando Deus fala conosco, Ele acomoda a linguagem à nossa capacidade de entender, assim como uma mãe que se abaixa para falar com o filho, procurando traduzir o que fala em uma linguagem própria de criança.
A Bíblia usa muitas imagens, metáforas, símbolos e comparações para falar de Deus: Rocha (Sl 18.2), Escudo (Sl 3.3), Fogo Consumidor (Hb 12.29), Cordeiro (Jo 1.29), Cordeiro com sete chifres e sete olhos (Ap 5.6), Pomba (Lc 3.22), etc. Cada uma destas imagens tem por objetivo apresentar algum aspecto do caráter ou do poder de Deus, mas não querem dizer que Deus seja um mineral (Rocha), ou que Deus seja um artefato (escudo), ou que seja uma reação química (fogo consumidor), ou um aninal (cordeiro, pomba), ou mesmo um animal incrível (cordeiro com sete chifres e sete olhos). O mesmo acontece quando a Bíblia chama a Deus de Pai: é uma imagem para expressar o caráter de Deus, bem como nossa relação com Ele. Mas a palavra "Pai", por melhor que seja, não esgota Deus. É o que veremos abaixo.

1) IMAGENS MATERNAIS DE DEUS NA BÍBLIA
         A Bíblia fala de Deus em linguagem não apenas paternal, mas também maternal, pois nos ensina que Deus tem traços maternais. Isso significa que Ele é mais que pai, e mais que mãe. Alguns exemplos:
a) Deus como mãe que se compadece dos filhos (Is 49.15);
b) Deus como mãe que consola (Is 66.13);
c) Como Aquele que gera filhos (Dt 32.18; Jo 3.8; 1Jo 3.9; 1Jo 4.7; Tg 1.18, etc.);
d) O amor maternal de Jesus (Mt 23.37);
e) Deus é melhor que os pais ou que as mães (Sl 27.10);
f) O Espírito (Ruah): palavra hebraica no feminino.
Estes são apenas alguns exemplos. Muitos outros exemplos de linguagem maternal para Deus na Bíblia poderiam ser citados  .

2) DEUS E O SER HUMANO NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
         Ao falar de Deus e do ser humano na criação, na redenção e na consumação dos séculos, a Bíblia nos dá pistas muito importantes sobre a pergunta "Deus é machou ou fêmea?".
a) Criação (Gn 1.26-27). Quem foi criado à imagem e semelhança de Deus, o macho ou a fêmea? Não foi apenas o macho que foi criado à imagem e semelhança de Deus, mas a fêmea também! "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou". No início do verso, a palavra ´homem´ significa "humanidade", o que fica claro no final do verso, quando "homem", ao lado de "mulher", significa "macho". Tanto o macho quanto a fêmea são criados a imagem e semelhança de Deus! A pluralidade que há na trindade é expressa na pluralidade humana que há entre homem e mulher.
b) Redenção (At 10; At 16.31-33; Gl 3.28). No Reino inaugurado por Cristo não há distinção entre homens e mulheres (Gl 3.28), pois todos tem a mesma dignidade em Cristo. O homem não é nem mais e nem menos que a mulher. Isso fica claro no sinal da aliança: enquanto apenas o macho recebia o sinal da entrada na aliança no Antigo Testamento, na Nova Aliança o sinal não é recebido apenas pelo homem, mas também pela mulher (At 10; At 16.31-33).
c) Consumação (Mc 12.18-27). Jesus afirma que, na consumação dos séculos, ou seja, "no céu", seremos como os anjos de Deus, que não são divididos entre machos e fêmeas, pois não há anjo macho ou anjo fêmea.

3) CURIOSIDADE: O CASO DO EVANGELHO DE TOMÉ (APÓCRIFO)
Recentemente, os chamados Evangelhos Apócrifos tem chamado muito a atenção da mídia. Muita gente acusa a Bíblia cristã de muita coisa, inclusive de sexismo, e por isso alguns defendem os livros apócrifos do Novo Testamento, como o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Maria Madalena, deveriam ter sido incluídos no cânon (lista de livros sagrados) da Bíblia. Os dois apócrifos citados tem sido alvo, inclusive, peças importantes na trama de livros e filmes, como filme "O Stigmata" (1999) e o livro-filme "O Código da Vinci", de Dan Brown (2003 - livro - e 2006 - filme). No entanto, gostaria de citar uma passagem importante do Evangelho de Tomé, que encerra o livro:

"Simão Pedro disse a eles: "Maria deveria deixar-nos, pois as mulheres não são dignas da vida". Jesus disse: "Eu a guiarei para fazer dela homem, de modo que também ela possa tornar-se um espírito vivo
semelhante a vocês homens. Pois toda mulher que se torna homem entrará no reino do céu" (Evangelho de Tomé, verso 114).

O Evangelho de Tomé é um texto gnóstico, e a gnose de então costumava encarar o ser humano no dualismo carne (feminino) e espírito (masculino) - ou seja, a mulher está numa situação de inferioridade em relação ao homem. O Novo Testamento, ao contrário do Evangelho de Tomé, afirma que, em Cristo, homens e mulheres tem a mesma dignidade hoje (Gl 3.28) e no porvir (Mc 12.18-27)

CONCLUSÕES.
a) Tanto o homem quanto a mulher são criados à imagem e semelhança de Deus;
b) Em Cristo caem das barreiras que separam as pessoas, e a dignidade, tanto de homens quanto de mulheres, é resgatada;
c) "Nos céus" não haverá distinção entre homens e mulheres. Nem haverá homens e mulheres! Portanto, Deus não é macho e Deus não é fêmea. Ele está acima da relação de gênero (ser macho ou ser fêmea).
 Portanto,

DEUS É MAIS QUE PAI. DEUS É MAIS QUE MÃE. DEUS É DEUS!

A Face Materna de Deus

O que significa chamar a Deus de Pai? Se Deus é Pai, quem é a nossa mãe? Deus é macho ou fêmea? O estudo de hoje é uma reflexão sobre estas perguntas à luz da Bíblia.
Como falar sobre Deus? Ele é celestial, e nós, terrenos (cf. Jo 3.12). Se às vezes é difícil traduzir um texto de uma cultura para outra, imagine o que significa expressar a Deus com perfeição! Na verdade, Deus é tão grande que Ele não cabe nem na Bíblia. A Bíblia não nos diz TUDO sobre Deus, pois isso não seria possível nem mesmo com todos os livros do mundo, ou mesmo com o mundo cheio de livros sobre ele (Jo 21.25). Mas a Bíblia diz TUDO O QUE PRECISAMOS SABER sobre Deus. Ela é inspirada por Deus para que possamos conhecer o que podemos e o que precisamos. Quando Ele nos levar, passaremos a eternidade O conhecendo, cada vez mais, sem esgotá-lo! Por essas razões a Bíblia fala de Deus numa linguagem dinâmica, usando de comparações, símbolos e imagens. Calvino afirmava que quando Deus fala conosco, Ele acomoda a linguagem à nossa capacidade de entender, assim como uma mãe que se abaixa para falar com o filho, procurando traduzir o que fala em uma linguagem própria de criança.
A Bíblia usa muitas imagens, metáforas, símbolos e comparações para falar de Deus: Rocha (Sl 18.2), Escudo (Sl 3.3), Fogo Consumidor (Hb 12.29), Cordeiro (Jo 1.29), Cordeiro com sete chifres e sete olhos (Ap 5.6), Pomba (Lc 3.22), etc. Cada uma destas imagens tem por objetivo apresentar algum aspecto do caráter ou do poder de Deus, mas não querem dizer que Deus seja um mineral (Rocha), ou que Deus seja um artefato (escudo), ou que seja uma reação química (fogo consumidor), ou um aninal (cordeiro, pomba), ou mesmo um animal incrível (cordeiro com sete chifres e sete olhos). O mesmo acontece quando a Bíblia chama a Deus de Pai: é uma imagem para expressar o caráter de Deus, bem como nossa relação com Ele. Mas a palavra "Pai", por melhor que seja, não esgota Deus. É o que veremos abaixo.

1) IMAGENS MATERNAIS DE DEUS NA BÍBLIA
         A Bíblia fala de Deus em linguagem não apenas paternal, mas também maternal, pois nos ensina que Deus tem traços maternais. Isso significa que Ele é mais que pai, e mais que mãe. Alguns exemplos:
a) Deus como mãe que se compadece dos filhos (Is 49.15);
b) Deus como mãe que consola (Is 66.13);
c) Como Aquele que gera filhos (Dt 32.18; Jo 3.8; 1Jo 3.9; 1Jo 4.7; Tg 1.18, etc.);
d) O amor maternal de Jesus (Mt 23.37);
e) Deus é melhor que os pais ou que as mães (Sl 27.10);
f) O Espírito (Ruah): palavra hebraica no feminino.
Estes são apenas alguns exemplos. Muitos outros exemplos de linguagem maternal para Deus na Bíblia poderiam ser citados  .

2) DEUS E O SER HUMANO NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
         Ao falar de Deus e do ser humano na criação, na redenção e na consumação dos séculos, a Bíblia nos dá pistas muito importantes sobre a pergunta "Deus é machou ou fêmea?".
a) Criação (Gn 1.26-27). Quem foi criado à imagem e semelhança de Deus, o macho ou a fêmea? Não foi apenas o macho que foi criado à imagem e semelhança de Deus, mas a fêmea também! "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou". No início do verso, a palavra ´homem´ significa "humanidade", o que fica claro no final do verso, quando "homem", ao lado de "mulher", significa "macho". Tanto o macho quanto a fêmea são criados a imagem e semelhança de Deus! A pluralidade que há na trindade é expressa na pluralidade humana que há entre homem e mulher.
b) Redenção (At 10; At 16.31-33; Gl 3.28). No Reino inaugurado por Cristo não há distinção entre homens e mulheres (Gl 3.28), pois todos tem a mesma dignidade em Cristo. O homem não é nem mais e nem menos que a mulher. Isso fica claro no sinal da aliança: enquanto apenas o macho recebia o sinal da entrada na aliança no Antigo Testamento, na Nova Aliança o sinal não é recebido apenas pelo homem, mas também pela mulher (At 10; At 16.31-33).
c) Consumação (Mc 12.18-27). Jesus afirma que, na consumação dos séculos, ou seja, "no céu", seremos como os anjos de Deus, que não são divididos entre machos e fêmeas, pois não há anjo macho ou anjo fêmea.

3) CURIOSIDADE: O CASO DO EVANGELHO DE TOMÉ (APÓCRIFO)
Recentemente, os chamados Evangelhos Apócrifos tem chamado muito a atenção da mídia. Muita gente acusa a Bíblia cristã de muita coisa, inclusive de sexismo, e por isso alguns defendem os livros apócrifos do Novo Testamento, como o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Maria Madalena, deveriam ter sido incluídos no cânon (lista de livros sagrados) da Bíblia. Os dois apócrifos citados tem sido alvo, inclusive, peças importantes na trama de livros e filmes, como filme "O Stigmata" (1999) e o livro-filme "O Código da Vinci", de Dan Brown (2003 - livro - e 2006 - filme). No entanto, gostaria de citar uma passagem importante do Evangelho de Tomé, que encerra o livro:

"Simão Pedro disse a eles: "Maria deveria deixar-nos, pois as mulheres não são dignas da vida". Jesus disse: "Eu a guiarei para fazer dela homem, de modo que também ela possa tornar-se um espírito vivo
semelhante a vocês homens. Pois toda mulher que se torna homem entrará no reino do céu" (Evangelho de Tomé, verso 114).

O Evangelho de Tomé é um texto gnóstico, e a gnose de então costumava encarar o ser humano no dualismo carne (feminino) e espírito (masculino) - ou seja, a mulher está numa situação de inferioridade em relação ao homem. O Novo Testamento, ao contrário do Evangelho de Tomé, afirma que, em Cristo, homens e mulheres tem a mesma dignidade hoje (Gl 3.28) e no porvir (Mc 12.18-27)

CONCLUSÕES.
a) Tanto o homem quanto a mulher são criados à imagem e semelhança de Deus;
b) Em Cristo caem das barreiras que separam as pessoas, e a dignidade, tanto de homens quanto de mulheres, é resgatada;
c) "Nos céus" não haverá distinção entre homens e mulheres. Nem haverá homens e mulheres! Portanto, Deus não é macho e Deus não é fêmea. Ele está acima da relação de gênero (ser macho ou ser fêmea).
 Portanto,

DEUS É MAIS QUE PAI. DEUS É MAIS QUE MÃE. DEUS É DEUS!

A Face Materna de Deus

O que significa chamar a Deus de Pai? Se Deus é Pai, quem é a nossa mãe? Deus é macho ou fêmea? O estudo de hoje é uma reflexão sobre estas perguntas à luz da Bíblia.
Como falar sobre Deus? Ele é celestial, e nós, terrenos (cf. Jo 3.12). Se às vezes é difícil traduzir um texto de uma cultura para outra, imagine o que significa expressar a Deus com perfeição! Na verdade, Deus é tão grande que Ele não cabe nem na Bíblia. A Bíblia não nos diz TUDO sobre Deus, pois isso não seria possível nem mesmo com todos os livros do mundo, ou mesmo com o mundo cheio de livros sobre ele (Jo 21.25). Mas a Bíblia diz TUDO O QUE PRECISAMOS SABER sobre Deus. Ela é inspirada por Deus para que possamos conhecer o que podemos e o que precisamos. Quando Ele nos levar, passaremos a eternidade O conhecendo, cada vez mais, sem esgotá-lo! Por essas razões a Bíblia fala de Deus numa linguagem dinâmica, usando de comparações, símbolos e imagens. Calvino afirmava que quando Deus fala conosco, Ele acomoda a linguagem à nossa capacidade de entender, assim como uma mãe que se abaixa para falar com o filho, procurando traduzir o que fala em uma linguagem própria de criança.
A Bíblia usa muitas imagens, metáforas, símbolos e comparações para falar de Deus: Rocha (Sl 18.2), Escudo (Sl 3.3), Fogo Consumidor (Hb 12.29), Cordeiro (Jo 1.29), Cordeiro com sete chifres e sete olhos (Ap 5.6), Pomba (Lc 3.22), etc. Cada uma destas imagens tem por objetivo apresentar algum aspecto do caráter ou do poder de Deus, mas não querem dizer que Deus seja um mineral (Rocha), ou que Deus seja um artefato (escudo), ou que seja uma reação química (fogo consumidor), ou um aninal (cordeiro, pomba), ou mesmo um animal incrível (cordeiro com sete chifres e sete olhos). O mesmo acontece quando a Bíblia chama a Deus de Pai: é uma imagem para expressar o caráter de Deus, bem como nossa relação com Ele. Mas a palavra "Pai", por melhor que seja, não esgota Deus. É o que veremos abaixo.

1) IMAGENS MATERNAIS DE DEUS NA BÍBLIA
         A Bíblia fala de Deus em linguagem não apenas paternal, mas também maternal, pois nos ensina que Deus tem traços maternais. Isso significa que Ele é mais que pai, e mais que mãe. Alguns exemplos:
a) Deus como mãe que se compadece dos filhos (Is 49.15);
b) Deus como mãe que consola (Is 66.13);
c) Como Aquele que gera filhos (Dt 32.18; Jo 3.8; 1Jo 3.9; 1Jo 4.7; Tg 1.18, etc.);
d) O amor maternal de Jesus (Mt 23.37);
e) Deus é melhor que os pais ou que as mães (Sl 27.10);
f) O Espírito (Ruah): palavra hebraica no feminino.
Estes são apenas alguns exemplos. Muitos outros exemplos de linguagem maternal para Deus na Bíblia poderiam ser citados  .

2) DEUS E O SER HUMANO NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
         Ao falar de Deus e do ser humano na criação, na redenção e na consumação dos séculos, a Bíblia nos dá pistas muito importantes sobre a pergunta "Deus é machou ou fêmea?".
a) Criação (Gn 1.26-27). Quem foi criado à imagem e semelhança de Deus, o macho ou a fêmea? Não foi apenas o macho que foi criado à imagem e semelhança de Deus, mas a fêmea também! "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou". No início do verso, a palavra ´homem´ significa "humanidade", o que fica claro no final do verso, quando "homem", ao lado de "mulher", significa "macho". Tanto o macho quanto a fêmea são criados a imagem e semelhança de Deus! A pluralidade que há na trindade é expressa na pluralidade humana que há entre homem e mulher.
b) Redenção (At 10; At 16.31-33; Gl 3.28). No Reino inaugurado por Cristo não há distinção entre homens e mulheres (Gl 3.28), pois todos tem a mesma dignidade em Cristo. O homem não é nem mais e nem menos que a mulher. Isso fica claro no sinal da aliança: enquanto apenas o macho recebia o sinal da entrada na aliança no Antigo Testamento, na Nova Aliança o sinal não é recebido apenas pelo homem, mas também pela mulher (At 10; At 16.31-33).
c) Consumação (Mc 12.18-27). Jesus afirma que, na consumação dos séculos, ou seja, "no céu", seremos como os anjos de Deus, que não são divididos entre machos e fêmeas, pois não há anjo macho ou anjo fêmea.

CONCLUSÕES.
a) Tanto o homem quanto a mulher são criados à imagem e semelhança de Deus;
b) Em Cristo caem das barreiras que separam as pessoas, e a dignidade, tanto de homens quanto de mulheres, é resgatada;
c) "Nos céus" não haverá distinção entre homens e mulheres. Nem haverá homens e mulheres! Portanto, Deus não é macho e Deus não é fêmea. Ele está acima da relação de gênero (ser macho ou ser fêmea).
 Portanto,

DEUS É MAIS QUE PAI. DEUS É MAIS QUE MÃE. DEUS É DEUS!

sábado, 6 de março de 2010

Eleição como Salvação, Privilégio e Responsabilidade (Am 3.1-2)


Texto Bíblico:
1 Ouvi a palavra que o SENHOR 
fala contra vós outros, filhos de Israel,
contra toda a família 
que ele fez subir da terra do Egito, dizendo: 
2 De todas as famílias da terra, 
somente a vós outros vos escolhi;
portanto, eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades.

Introdução
            Certa vez ouvi alguém dizer mais ou menos o seguinte: "O que você entende por eleição? A compreensão correta da doutrina da eleição é muito importante, pois quando estou na gandaia, é ela que me traz segurança, pois sou um eleito de Deus". Infelizmente algumas pessoas pensam que a doutrina bíblica da eleição é a doutrina bíblica da legitimação da safadeza, da injustiça e do pecado sem arrependimento! Em outra ocasião ouvi alguém dizer mais ou menos o seguinte: "Para que evangelizar? Segundo a Palavra de Deus os eleitos já estão eleitos, independente do meu esforço próprio; portanto, eu não evangelizo porque não preciso evangelizar!". Infelizmente outras pessoas pensam que a doutrina da eleição é a doutrina da preguiça física e mental! Mas ela é exatamente o contrário!
            A doutrina bíblica da eleição não dá margem para a atitude de nenhum dos discursos exemplificados acima. Não é doutrina de vagabundos e de preguiçosos, de pecadores inveterados e de religiosos sem amor. A eleição afirma que a fonte da salvação é Deus e não o ser humano, mas ao mesmo tempo afirma que o ser humano que é alvo da eleição deve responder à graça da qual participa. Mas antes de continuar, vamos ouvir a voz do profeta Amós.

1) Eleição é salvação (v. 1b)
            O v. 1b fala sobre "toda a família que ele (o SENHOR) fez subir da terra do Egito". Esta é uma clara referência ao Êxodo, apresentado aqui como o evento fundador de Israel. O Êxodo é muito importante para a história de Israel, bem como à compreensão bíblica da eleição, por várias razões.
a) É no contexto do Êxodo que o SENHOR revela o Seu Nome à Moisés;
b) É no contexto do Êxodo que o SENHOR entrega sua Lei a Moisés.
c) O Êxodo é o grande evento de salvação do AT. O grande modelo de salvação, ou mesmo o evento mais importante de salvação no AT, é, segundo o próprio AT, o Êxodo. Nele o SENHOR liberta os hebreus da escravidão do Egito, e os conduz à Terra Prometida, formando a partir de então uma grande nação. O Êxodo nos ensina que o sentido básico de salvação na Bíblia é o de libertação.
            Portanto, o v. 1 fala de eleição, e apresenta a eleição como libertação. Na Nova Aliança, Cristo nos liberta da culpa do pecado, nos liberta progressivamente do poder do pecado e, na consumação, nos libertará da existência do pecado, através não apenas do próprio exemplo de vida sem pecado, mas especialmente pelo seu amor e poder na sua encarnação, vida, morte e ressurreição. É motivo de grande alegria ser um eleito de Deus!

2) Eleição é um privilégio (v. 2a)
            Além de salvação, a eleição também é um grande privilégio. Segundo cremos, as Escrituras, consideradas como um todo, não dão razão à doutrina do universalismo, segundo o qual Deus, por ser bom, no fim das contas traz salvação à todos, indistintamente. O universalismo afirma mais ou menos o seguinte: homens e mulheres que pecaram podem alcançar a salvação, mesmo sem arrependimento. Vamos pensar num exemplo: Adolf Hitler. Foi o principal responsável pela morte de milhões de pessoas (judeus, deficientes físicos e mentais, homossexuais, etc.). Só de judeus foram cerca de 6 milhões! Como imaginar que alguém assim, que não se arrependeu de seus pecados e não caiu de joelhos aos pés da cruz, possa alcançar a salvação? Na verdade, segundo o Novo Testamento, nem mesmo um homem religioso e correto como Nicodemos pode pensar em salvação sem nascer da água e do Espírito (ou seja, sem a fé em Cristo e o batismo, no qual confessamos publicamente nossa fé em Cristo).
            O SENHOR, através de Amós, afirma que Israel fora eleito entre as nações. No Novo Testamento há uma diferenciação entre a Igreja de Cristo e o aqueles que vivem sem a graça de Deus. De fato, a eleição é um grande privilégio!

3) Eleição é uma grande responsabilidade (v. 2b)
            Aqui Amós faz uma afirmação impressionante e inesperada! O "portanto" do v. 2b liga os dois pontos anteriores à conclusão do texto, concluindo o seguinte: "Israel, você será punido pelas suas iniqüidades PORQUE você é eleito do SENHOR"!!! Este é o ponto alto do texto!
            Israel confiava na eleição, e encontrava na eleição grande segurança, apesar de viver na injustiça, na opressão, na violência, na idolatria, na maldade. Amós afirma, então, o seguinte: "Não, Israel, não espere o Dia do Senhor, pois é dia de trevas, e não de luz (Am 5.18,20), pois você não tem vivido DE ACORDO COM A ELEIÇÃO!".
            Amós ensina que a eleição é uma grande responsabilidade! Aquele que se considera um eleito de Deus deve andar de acordo com a justiça do Reino de Deus! Em outras palavras, a eleição exige de nós uma resposta. E isso não significa reduzir a doutrina da eleição ao legalismo, mas pelo contrário: é apenas a eleição que confirma a nossa liberdade!
            A graça de Deus na qual somos eleitos, perdoados, enfim, salvos, é a mesma graça que renova as nossas vidas, que quebra em nós todas as cadeias e grilhões (não apenas os exteriores, mas também os grilhões mais íntimos do coração). Por isso a eleição é uma grande responsabilidade, pois temos que responder à salvação de Deus através de uma justiça muito superior à dos escribas e fariseus (apenas externa)! É como afirma um dos textos clássicos acerca da graça de Deus: 

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas" (Efésios 2.8-10). 

           Em outras palavras, a salvação dos eleitos é dom da graça de Deus e não resultado de obras humanas. No entanto, a graça de Deus derramada sobre nós para a salvação nos transforma, nos torna nova criação, ou nova criatura. Esta transformação interior deve se refletir exteriormente através de uma vida de justiça e santidade, nos conduzindo para as boas obras, as quais Deus de antemão (eleição) nos preparou para que andássemos nelas! Em outras palavras, todo aquele que é alcançado pela graça de Deus deve, necessariamente, se transformar num agente de salvação.

Conclusão
            A eleição é salvação e privilégio, mas é, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. Os eleitos de Deus não estão isentos de uma vida de justiça, santidade e paz, mas muito pelo contrário: esse é o dever de todos os santos! O salvo deve se tornar um agente de salvação!
            Que Deus nos ajude, pela sua graça, a viver de acordo com a justiça do Reino de Deus, não na nossa própria força, mas pelo poder da vida de Cristo, nosso Senhor que ressuscitou dentre os mortos e nos chama à uma nova vida, em graça e verdade!